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#impaciente

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Isto é quase uma bebida que se consome em dias de alto calor e me consome como um ácido corrosivo. Em dias de explosão tecnológica não consigo parar os neurônios para não fazer nada. E em tudo não faço nada porque as horas intermináveis de desenfreada produção consomem o meu eu. Nem me sinto mais e fico errante em pensamentos que se desencontram como pulsos energéticos sem força para produzir uma faísca qualquer. Nem sei se sou eu ou o outro que se apossa do meu corpo para tomar de mim a tranquilidade que pareço ter. O meu outro eu, sereno, que nunca se abala não tem forças para se impor e fico a mercê da impaciência. Um caminho de coisas desinteressantes eu percorro e não consigo achar algo para me apegar. Não há graça nas coisas, não há graça nas pessoas e toda a pluralidade me sufoca tanto que desejo apenas as palavras. Elas surgem como boas amigas de qualquer hora e quase dizem a verdade em letras que são atraídas para formarem textos perfeitos. O que me faz seguir nem...

Love

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Love O andar em solo árido fervia-lhe os pés descalços e aos poucos a pela seca parecia soltar-se do seu corpo cansado. Parou. Desfalecido lançou um olhar ao horizonte para  ver o nada. As mãos trêmulas retiravam os fios de cabelo grudados da face suja. Os olhos profundamente negros ainda contrastavam com o branco amarelecido da esclera ocular. Em seus pensamentos conturbados não tinha certeza de nada, se ainda havia mundo ou se mundo havia acabado. Continuou, com a esperança de encontrar algo que o sustentasse por mais um dia, algo que o trouxesse de volta a realidade. Aonde estava o mundo normal? Ali, durante a caminhada errante, tinha a impressão de que os valores da vida ultrapassam grandes barreiras da mesquinhez e do poder. O poder não dá vida, não prolonga a vida e nem mesmo a mantém viva. Em seu devaneio a companhia de um cão vira-lata seria o céu. Os pés ferventes e o coração gelado tiraram-lhe a essência do período que se tem para fazer a diferença. É assim qu...

Tic-tac

O questionamento está no ar... Quando andares Entre a pedra ingrata e a leve brisa flutuante Insinuante É o dia que chega de mansinho Com seu carinho Com seu delírio Louco para romper os minutos e roubar as horas E deixar de fora A essência do instante. A vitalidade lacrimejante do sangue que viaja em horas tão eternas em veias pulsantes Também pára, um dia! Reserva para ti, do teu dia, mais que um instante de delírio, muitos instantes de amor e de amizade e cultiva a positividade da alegria. Como se o desvario da utopia iluminasse as tuas horas, deixa-te ser, apenas! Pois o tic-tac de um dia é o frontispício do próximo dia, sem EXCEÇÃO .

A nudez da vida

Pelo canto da boca o fio escarlate destoava. O homem observava em si mesmo o resultado da fadiga, do peso de um dia após o outro. Retesava-se sobre o frio de um chão sem fim, o som lacrimejante da respiração também cessara. Nada mais havia a não ser o corpo. No mesmo momento a reprodução das células também se extingue, o sangue deixar de jorrar entre os caminhos tortuosos e venosos e a pálpebra caída não mais se abre. É a inércia eterna! Olha para si e não pode retroceder, não pode mais ser. Acorda! Num sobressalto percebe que ainda há vida para viver, boca para beijar, amor para dar... acorda enquanto o mundo dorme e percebe que entre um momento e outro tudo pode ser preto ou branco ou escarlate e ardente, e quente. é assim! são escolhas! a vida é nua, veste-se o que quiser. O adorno é um detalhe que compõe o dia de cada um, é um sorriso perdido, um pedido de desculpa, uma declaração de amor. Para esta nudez não há nenhuma vergonha. Você pode manifestar pre...

Plano de ser feliz

Então você acorda, muito, muito cedo E de tão cedo nem consegue enxergar que teve a bênção de acordar. Enquanto o café espalha o seu aroma, difícil é escolher o que vestir. Vestir-se não deveria ser prioridade nem ter a importância e o poder de fazer as pessoas sorrirem para você. Mas é assim que é. Vem e vão os pensamentos e não é possível perceber que há mais ali para escolher do que a mente capitalista indica eu seus raios inconscientes que refletem a sociedade podre. Em passos lentos e lamentos procura o de sempre: bolsa, carteira e um lanchinho. Escorrega através dos dias tentando agradar em seu modo de ser e falar. E trabalha incessantemente como se o seu árduo labor pudesse salvar a humanidade. Pura ilusão. A humanidade já está contaminada pela ganância de ser muito mais de que feliz, é quase utopia querer a felicidade em simples fatos do dia a dia, no amor, na família, no sorriso inocente. Deteriora-se esta civilização quando alcança o mais alto grau de instrução...