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Mostrando postagens de julho 7, 2010

Lucipotente

“E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.” Imagine um cômodo negro de um escuro sólido, quase impenetrável. Não há mobília, não há aonde recostar-se; apenas paredes, teto e chão. Você se move lentamente, não sabe se está sob o teto ou vaga incerto como se pudesse escalar as paredes invisíveis: é o escuro, quase transparente. O corpo é o objeto que corta o silêncio da monotonia, os neurônios se confundem entre o real e o imaginário. O tempo aguça o olfato e a audição. E a fedentina chega a ouvir os gotas podres que caem em algum lugar que não se pode avistar. Sente os pés levemente molhados, como se cada gota percorresse uma rota traçada para chegar a eles e infernizá-los com as moléstias que a umidade causa. Não suporta ouvir o estrondo do silêncio, rasga-lhe a membrana que constitui os tímpanos. Apalpa o nada, a melancolia escorre nas paredes e se funde com as gotas que causam feridas. Dói-lhe viver. ...