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Mostrando postagens de novembro 26, 2010

Laço Indissolúvel

A mulher perambulava de um lado para o outro a procura da resposta. Era o seu objetivo único e derradeiro, sua sentença de vida ou de morte. Um enigma a ser desvendado que lhe danificava o cérebro à medida que tomava forma em proporções inimagináveis. Laço indissolúvel, rasgado és! O corpo magro e abatido, cabelos soltos na altura dos ombros, um olhar profundo e sem expressão faziam-na passar quase despercebida, não fosse o fato de balbuciar o tempo todo palavras cujo conteúdo era apenas a sequência sintática de morfemas. Enquanto seus pés descalços sofriam a ação da calçada quente e suja, entre os dedos o acúmulo de dejetos formava aquela camada espessa: a proteção da imundície. Ora refletia-lhe a luminosidade natalina, ora ouvia o som da ruptura dilacerante. As mãos trêmulas agarravam-se às paredes e vitrines nas quais a superfície lisa e impecável estabelecia um contraste entre o dia e a noite. O abdômen contraído revelava parte da estrutura do corpo. Andava cansada de viver. A ...