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Mostrando postagens de julho 16, 2010

A pétala

Vagava o vento incerto entre obstáculos humanos, refugiava-se nas pétalas murchas e enrugadas que, teimosamente, prendiam-se ainda à flor já sem vida. O tempo da flor é tão curto, a beleza se eterniza em poucos dias e o aroma entra deliciosamente através das vias respiratórias e alcança, em apenas uma inspiração, o âmago do sentido olfativo. Não se pode ignorar a suavidade daquilo que paira no ar, como uma leve brisa irrompe o corpo e atinge o interior, mesmo que não se tenha pedido. Sua chegada é sempre um vulcão em erupção, repentina, não dá aviso prévio. Metediça, a chegada, ora causa êxtase, ora náusea em elementos químicos não visíveis que se unem em aromas deteriorados. A repulsa é sua companheira. A pétala, porém, já desbotada pela ação do tempo, procura, incansavelmente, refugiar-se a fim de garantir um momento a mais de perfeição da fragrância. Quer ser sentida, tocada, e mesmo em sua breve vida, procura alento. És tu esta pétala e também sou eu. Somos nós. Que te...