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Mostrando postagens de outubro 29, 2012

O corpo

Na corrida, desceu a escada em passos leves para não acordar a população que ainda dormia no interior da residência. Parecia um dia normal, uma segunda-feira que surge entre a depressão do domingo à noite e o alvorecer nebuloso no qual os raios tímidos do sol tentam impor sua imponência. A normalidade que vai ao encontro das regras dos bandidos mais sabidos sucumbia na silhueta desenhada, a escultura corpórea, quase transparente, refletia o cabelo encarnado que descia pelos ombros finos. Os braços delgados e dedos alongados eram um adorno totalmente perfeito no conjunto do ser feminino, que parecia translúcido entre o belo e o místico. O trajeto e a chegada no local de trabalho maculavam aquela presença feminina enquanto arrastava o corpo desconhecido para frente do veículo. Perguntava-se e perguntavam a ela, espantados, os colegas de trabalho, quem era o extinto. Por que não tentava esconder um corpo imóvel, prova de algum crime, talvez? E o carregava consigo, em todos os caminho...