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Mostrando postagens de maio 27, 2010

Lembrar de Esquecer

Esqueceu-se de si mesmo. Os autores que eu tenho aprendido a apreciar gostam tanto de esquecerem-se de si mesmos que acabei por pensar o que aconteceria com os textos se em vez de se esquecerem, tivessem lembrado de si mesmos. Como podem escrever sobre nada, sobre não estarem aonde estão, não amar, não ter, não ser. Como podem dar vida ao inerte e prender a atenção em linhas e linhas sem propósito que se unem em perfeição semântica e transformam as letras em melodia harmoniosa? Quem sabe. A tristeza é tão mais interessante e rende tanto. Rende bons textos, flui como uma caudalosa cachoeira e transforma a morfologia em poema. O sangue vivo que possui um cheiro particular escorre entre os dedos do escritor e desliza através dos sulcos da pele até as unhas e mesmo embaixo da queratina, aonde já se coagula, goteja nas teclas da história. A tela é bicolor: preto e branco. Os cabelos tão curtos não requerem cuidados, a pele branca contrasta com os grandes olhos negros, tão negros que sã...