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Mostrando postagens de janeiro 26, 2011

MENSAGEIRO

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No alvorecer, a vida parece retornar da escuridão. Enquanto os pássaros prenunciam a primeira claridade, o mundo move-se; enquanto a vida passa, o mundo gira. O dia e a noite não conseguem marcar encontro. Há luta pela sobrevivência. Ele, que não faz essa distinção entre a sombra e o brilho, perambula por aí. Ser de feições intrigantes, não se importa com a aparência, mas da aparência sobrevém-lhe a impressão dos outros, de si mesmo e daquele que circunda. Quando a chuva cai em gotículas transparentes, inunda, aos poucos, o pequeno universo. Molha o suficiente, outras vezes encharca. O pensamento escoa pela vala rasa, a mensagem quase se perde entre a água e a sensibilidade que aflora em poros úmidos e veias latejantes, olhos esbugalhados, gritos altissonantes; é um coral que acaba de se formar, vozes únicas que vibram até o romper das cordas vocais. A continuidade é inevitável. O mensageiro move-se lentamente, parece insensível aos acontecimentos, porém atento, como se procurasse...