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Indignação feminina...

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A profundidade do teu olhar encontra-se com o meu, lacrimejante. Não quero sentir o que sinto, tampouco demonstrar esta indignação feminina que passa todos os dias por mim, vejo-a, sinto-a. Enquanto a mulher se debruça sobre si mesma, busca respostas não reveladas e o pergaminho desdobra-se como mais uma página virada, que se abre e fecha-se sem interrupção. Ela não sabe, mas o poder lhe ronda, escapa-lhe entre os dedos alongados que delicadamente revolvem uma mexa de cabelo sobre os olhos brilhantes; enquanto caminha e executa as rotinas do dia - sente, nas mãos, a pele espessa e endurecida devido ao atrito da vida. Ah! Mulher. Éreis bela e atraente, doce e caudalosa como a cachoeira que se forma do nada e penetra em fissuras inatingíveis, e o teu som era tão forte quanto o rugido do leão, e a força divina te assegurava o direito à sabedoria, ao intelecto, à virtuosidade. Éreis viva como a lua que sonda a noite e espera o amanhecer, quente como o sol que surge intrépido com ...

pingo

um pingo cai na imensidão da inundação incerto não tem escolha enquanto reflete a luz através de si mesmo cai seu momento de grandeza é tão sutil, e belo, e único. o momento é isto, um instante que se vive! Pode-se brilhar e refletir através de si mesmo a grandeza de ser, ou deixar-se cair unir-se a inundação de seres sem sentido. Provocar a reflexão é transparecer o nosso íntimo, é ser sem se importar; é refletir sobre qualquer coisa, introspectivamente... enquanto o som da vida ecoa em toda parte, harmonioso eu sou uma gota que não deseja se igualar às outras. Desejo, apenas, revelar-me um tom luminoso entre os outros!
quando olho a suavidade do teu rosto e a potência com que te colocas entre mim e a razão sinto a imensidão da dor que me causa essa tua teimosia. enquanto a alegria rola em lágrimas quentes e o grito ecoa; meu coração se despedaça . é o dilaceramento cardíaco que leva ao êxtase do enfado, é a reação contra essas influências exteriores que nos causam tanto mal. Eu queria te deixar ser! Entende-me, não posso permitir mais uma vez a repetição da mesma cena, não posso ser coadjuvante, a insanidade humana estabelece que o agir é o estímulo da existência. Falar com a lua em penumbra, enquanto a minguante se engrandece é tão dolorido quanto olhar a intensa luminosidade solar, que cega, danifica permanentemente a retina. Se pudesses entender que essa minha reação dói mais que qualquer atitude ou falsas aparências, isso é tão importante, tão real... Você é tão real que não posso falsificar o sentimento que me impulsiona, eu realmente preciso dizer que é absolutamente indispensável se...

sonho

enquanto durmo, sonho. meu sonho é vc entre os laços que nos cercam, o emaranhado da vida. não acordo, nunca enquanto o sonho produz o descanso descanso em saber da essência que nos une. uma fortaleza suave como a brisa, forte como a tromba d’água deslizante que percorre a distância perfeita. A perfeição é somente isso: as marcas que ficam, para sempre. Nada para mudar, posso até acordar e sonhar... it’s Love!

MENSAGEIRO

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No alvorecer, a vida parece retornar da escuridão. Enquanto os pássaros prenunciam a primeira claridade, o mundo move-se; enquanto a vida passa, o mundo gira. O dia e a noite não conseguem marcar encontro. Há luta pela sobrevivência. Ele, que não faz essa distinção entre a sombra e o brilho, perambula por aí. Ser de feições intrigantes, não se importa com a aparência, mas da aparência sobrevém-lhe a impressão dos outros, de si mesmo e daquele que circunda. Quando a chuva cai em gotículas transparentes, inunda, aos poucos, o pequeno universo. Molha o suficiente, outras vezes encharca. O pensamento escoa pela vala rasa, a mensagem quase se perde entre a água e a sensibilidade que aflora em poros úmidos e veias latejantes, olhos esbugalhados, gritos altissonantes; é um coral que acaba de se formar, vozes únicas que vibram até o romper das cordas vocais. A continuidade é inevitável. O mensageiro move-se lentamente, parece insensível aos acontecimentos, porém atento, como se procurasse...

Laço Indissolúvel

A mulher perambulava de um lado para o outro a procura da resposta. Era o seu objetivo único e derradeiro, sua sentença de vida ou de morte. Um enigma a ser desvendado que lhe danificava o cérebro à medida que tomava forma em proporções inimagináveis. Laço indissolúvel, rasgado és! O corpo magro e abatido, cabelos soltos na altura dos ombros, um olhar profundo e sem expressão faziam-na passar quase despercebida, não fosse o fato de balbuciar o tempo todo palavras cujo conteúdo era apenas a sequência sintática de morfemas. Enquanto seus pés descalços sofriam a ação da calçada quente e suja, entre os dedos o acúmulo de dejetos formava aquela camada espessa: a proteção da imundície. Ora refletia-lhe a luminosidade natalina, ora ouvia o som da ruptura dilacerante. As mãos trêmulas agarravam-se às paredes e vitrines nas quais a superfície lisa e impecável estabelecia um contraste entre o dia e a noite. O abdômen contraído revelava parte da estrutura do corpo. Andava cansada de viver. A ...

Por um triz...

Quando o jornal dá a notícia, o tempo já transcorreu, o minuto se eternizou no segundo e o processo, indiscutível, foi lavrado. Os enquantos e os por um triz vagueiam entre a massa humana que é lavada pela lágrima gotejante. O lenço amarelecido não pode absorver esta umidade, é o rio de uma vida. A água tem esta propriedade de se infiltrar em qualquer parte, sem ser desejada, mina a consciência e a estrutura da construção. Metediça, não retrocede, mas encharca aos poucos. Tudo, porém, tem começo, meio e fim. Por que começar pelo fim? Terminar antes do princípio? O trânsito, nos finais de semana, segue este parâmetro. Loucos que se entrelaçam, loucos que findam e findam os outros cujos nomes não significam nada para mim, quiçá nem para você. Mas um nome é um substantivo próprio, com letra maiúscula, único, importante para alguém. Por este substantivo, alguém chorará!!! Os seres humanos me enojam, egoístas. Não matam para sobreviver, matam para se sobressair. A devastação ronda ...