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MENSAGEIRO

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No alvorecer, a vida parece retornar da escuridão. Enquanto os pássaros prenunciam a primeira claridade, o mundo move-se; enquanto a vida passa, o mundo gira. O dia e a noite não conseguem marcar encontro. Há luta pela sobrevivência. Ele, que não faz essa distinção entre a sombra e o brilho, perambula por aí. Ser de feições intrigantes, não se importa com a aparência, mas da aparência sobrevém-lhe a impressão dos outros, de si mesmo e daquele que circunda. Quando a chuva cai em gotículas transparentes, inunda, aos poucos, o pequeno universo. Molha o suficiente, outras vezes encharca. O pensamento escoa pela vala rasa, a mensagem quase se perde entre a água e a sensibilidade que aflora em poros úmidos e veias latejantes, olhos esbugalhados, gritos altissonantes; é um coral que acaba de se formar, vozes únicas que vibram até o romper das cordas vocais. A continuidade é inevitável. O mensageiro move-se lentamente, parece insensível aos acontecimentos, porém atento, como se procurasse...

Laço Indissolúvel

A mulher perambulava de um lado para o outro a procura da resposta. Era o seu objetivo único e derradeiro, sua sentença de vida ou de morte. Um enigma a ser desvendado que lhe danificava o cérebro à medida que tomava forma em proporções inimagináveis. Laço indissolúvel, rasgado és! O corpo magro e abatido, cabelos soltos na altura dos ombros, um olhar profundo e sem expressão faziam-na passar quase despercebida, não fosse o fato de balbuciar o tempo todo palavras cujo conteúdo era apenas a sequência sintática de morfemas. Enquanto seus pés descalços sofriam a ação da calçada quente e suja, entre os dedos o acúmulo de dejetos formava aquela camada espessa: a proteção da imundície. Ora refletia-lhe a luminosidade natalina, ora ouvia o som da ruptura dilacerante. As mãos trêmulas agarravam-se às paredes e vitrines nas quais a superfície lisa e impecável estabelecia um contraste entre o dia e a noite. O abdômen contraído revelava parte da estrutura do corpo. Andava cansada de viver. A ...

Por um triz...

Quando o jornal dá a notícia, o tempo já transcorreu, o minuto se eternizou no segundo e o processo, indiscutível, foi lavrado. Os enquantos e os por um triz vagueiam entre a massa humana que é lavada pela lágrima gotejante. O lenço amarelecido não pode absorver esta umidade, é o rio de uma vida. A água tem esta propriedade de se infiltrar em qualquer parte, sem ser desejada, mina a consciência e a estrutura da construção. Metediça, não retrocede, mas encharca aos poucos. Tudo, porém, tem começo, meio e fim. Por que começar pelo fim? Terminar antes do princípio? O trânsito, nos finais de semana, segue este parâmetro. Loucos que se entrelaçam, loucos que findam e findam os outros cujos nomes não significam nada para mim, quiçá nem para você. Mas um nome é um substantivo próprio, com letra maiúscula, único, importante para alguém. Por este substantivo, alguém chorará!!! Os seres humanos me enojam, egoístas. Não matam para sobreviver, matam para se sobressair. A devastação ronda ...

Paredes...

As paredes são as donas da sabedoria, do conhecimento, ouvintes inigualáveis, contudo, prisões que se aproximam para afogar o neurônio livre. Aonde quer que se vá há uma parede que interrompe ou leva ao objetivo. O que é o objetivo senão um laço que nos une, e as paredes tornam-se , repentinamente, intransponíveis. Na esfera do mundo não há espaço para as paredes que o homem criou, o círculo é perfeito e rodeia a todos, tampouco a vida pode-se enclausurar em paredes de mesquinharia, ódio e inveja. A decomposição assola a natureza humana, insana, não vê, não sente, não imagina que constrói paredes para lhe servir de jazigo. O que são os anos de uma vida medíocre? O que são as paredes que se criam ao redor de todos, e de um só? Cada um tem sua própria obra, em beleza e majestade, em simplicidade - mas tem. Paremos, então! Eu quero o beijo molhado, o céu azulado, o calor do sol que aquece, também, os mortais. Sinta, agora e sempre, a pulsação que se eleva quando os corpos...
Entusiasmo não é escolha que se aceita - é escolha que se elege - no dia ou na noite, no momento! Acordo. Abro os olhos e vejo o céu cinza, como se estivesse azul. O sol chove em gotículas resplandecentes não mente e a gente se move, deleita-se na alegria ruidosa. A fúria que causa gastrite dormirá com a cólera ... se merecem... a excitação da alma é o entusiasmo pela vida a cura que dura uma vida!
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O sol, quando surge, parece trazer a vida, a essência que não se sabe ao certo o que é, mas causa aquela sensação boa, até promove a vontade de sair da cama quente, seja luxuosa ou um colossal colchonete, lá o corpo se estende e deixa-se, por alguns instantes, desfrutar da benevolência do sono reparador. É claro, a luxuosidade não me parece fornecer tantos subsídios à criação da personagem redonda, que é complexa, bem acabada e evolui na narrativa. Sabe-se que a falta de algo provoca a teimosia da vida, busca-se suprir, de alguma forma, esta deficiência. Há força infinita, quase além do suportável. A dúvida toma-me por inteiro e esta personagem que me ronda, não consigo definir se a complexidade se acentua em conflitos insolúveis no caractere perfeito ou se procurarei ultrapassar a barreira humana no mundo psicológico que transcende o dia a dia. Sei, já, não quero a linearidade. O impacto da vida que se apresenta em um momento único. Na cama, novamente, digo, sem mais temer ou duv...

estilhaços humanos

Vexilo que explode em estilhaços humanos. Deixa-se levar pela vida e imagina que a vida leva em seu peito naquela incerteza certa de si mesma! Passos firmes sobre a corda bamba. Um horizonte infinito que busca o caminho! ... e a tendência é a demência que todos têm um pouco Há dormência! Há inocência! Intrépido é o caminhar e o andar eleva o membro inferior do corpo rumo à locomoção; que emoção, o coração não aguenta esta indiferença confia em coisa boa, destoa dissimula esta rua a que o vexilo voa. É tarde. Muito tarde! Quando o impacto violento ocorre aos poucos, as lascas não mais unir-se-ão!