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Paredes...

As paredes são as donas da sabedoria, do conhecimento, ouvintes inigualáveis, contudo, prisões que se aproximam para afogar o neurônio livre. Aonde quer que se vá há uma parede que interrompe ou leva ao objetivo. O que é o objetivo senão um laço que nos une, e as paredes tornam-se , repentinamente, intransponíveis. Na esfera do mundo não há espaço para as paredes que o homem criou, o círculo é perfeito e rodeia a todos, tampouco a vida pode-se enclausurar em paredes de mesquinharia, ódio e inveja. A decomposição assola a natureza humana, insana, não vê, não sente, não imagina que constrói paredes para lhe servir de jazigo. O que são os anos de uma vida medíocre? O que são as paredes que se criam ao redor de todos, e de um só? Cada um tem sua própria obra, em beleza e majestade, em simplicidade - mas tem. Paremos, então! Eu quero o beijo molhado, o céu azulado, o calor do sol que aquece, também, os mortais. Sinta, agora e sempre, a pulsação que se eleva quando os corpos...
Entusiasmo não é escolha que se aceita - é escolha que se elege - no dia ou na noite, no momento! Acordo. Abro os olhos e vejo o céu cinza, como se estivesse azul. O sol chove em gotículas resplandecentes não mente e a gente se move, deleita-se na alegria ruidosa. A fúria que causa gastrite dormirá com a cólera ... se merecem... a excitação da alma é o entusiasmo pela vida a cura que dura uma vida!
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O sol, quando surge, parece trazer a vida, a essência que não se sabe ao certo o que é, mas causa aquela sensação boa, até promove a vontade de sair da cama quente, seja luxuosa ou um colossal colchonete, lá o corpo se estende e deixa-se, por alguns instantes, desfrutar da benevolência do sono reparador. É claro, a luxuosidade não me parece fornecer tantos subsídios à criação da personagem redonda, que é complexa, bem acabada e evolui na narrativa. Sabe-se que a falta de algo provoca a teimosia da vida, busca-se suprir, de alguma forma, esta deficiência. Há força infinita, quase além do suportável. A dúvida toma-me por inteiro e esta personagem que me ronda, não consigo definir se a complexidade se acentua em conflitos insolúveis no caractere perfeito ou se procurarei ultrapassar a barreira humana no mundo psicológico que transcende o dia a dia. Sei, já, não quero a linearidade. O impacto da vida que se apresenta em um momento único. Na cama, novamente, digo, sem mais temer ou duv...

estilhaços humanos

Vexilo que explode em estilhaços humanos. Deixa-se levar pela vida e imagina que a vida leva em seu peito naquela incerteza certa de si mesma! Passos firmes sobre a corda bamba. Um horizonte infinito que busca o caminho! ... e a tendência é a demência que todos têm um pouco Há dormência! Há inocência! Intrépido é o caminhar e o andar eleva o membro inferior do corpo rumo à locomoção; que emoção, o coração não aguenta esta indiferença confia em coisa boa, destoa dissimula esta rua a que o vexilo voa. É tarde. Muito tarde! Quando o impacto violento ocorre aos poucos, as lascas não mais unir-se-ão!

Claro e escuro o muro divisa de algo que se imagina: o outro lado não é um só, um nó cujas extremidades se entrelaçam e marcam cada parte. O mundo é um nó gigante aonde as partes são marcadas umas pelas outras, um enlace que se aperta mutuamente, que sente o outro, que sofre as mesmas pressões que chora, que arrebenta e deixa os fios esfiapados expostos. A categoria inexiste e a corda que sustenta esta humanidade hipócrita permanece a mesma. Um fio não suporta o eixo Terrestre... Mas que porcaria este homem que não vê a importância do outro, não enxerga suas próprias chagas, cospe na face do irmão e delicia-se com aquele que o atraiçoa. Acrobata da vida, sente-se imortal, naquela imortalidade estúpida e cega! Transpõe obstáculos, pobre homem. Alicia riquezas que não preenchem o vazio que lhe faz doer as entranhas quando se recolhe, imagina que pode ser feliz. A alegria, procura-a em toda parte, e tão perto está: na mão estendida, no carinho, na fraternida...

Rua

A rua é o caminho que se escolhe segue crua, nua, em linha reta a visibilidade é boa; súbitas, as curvas, fazem derrapar o transeunte incauto. No alto, vê-se a longínqua aurora precedente do sol que ilumina a clemência que a ardência humana teima em se indispor a perdoar. E quando se chega ao topo - da rua, a proximidade desta beleza se agiganta, não adianta, inválida é a peleja e a dimensão é a mesma. A hierarquia transforma-se em igualdade e o uniforme é o que está por baixo da pele, dos ossos, de toda a extensão física do homem. As máscaras se consomem e vê-se nu, assim como veio ao mundo, no fundo, o sol divino ilumina o crepúsculo do imaterial. A essência, somente, cruza este percurso.

A pétala

Vagava o vento incerto entre obstáculos humanos, refugiava-se nas pétalas murchas e enrugadas que, teimosamente, prendiam-se ainda à flor já sem vida. O tempo da flor é tão curto, a beleza se eterniza em poucos dias e o aroma entra deliciosamente através das vias respiratórias e alcança, em apenas uma inspiração, o âmago do sentido olfativo. Não se pode ignorar a suavidade daquilo que paira no ar, como uma leve brisa irrompe o corpo e atinge o interior, mesmo que não se tenha pedido. Sua chegada é sempre um vulcão em erupção, repentina, não dá aviso prévio. Metediça, a chegada, ora causa êxtase, ora náusea em elementos químicos não visíveis que se unem em aromas deteriorados. A repulsa é sua companheira. A pétala, porém, já desbotada pela ação do tempo, procura, incansavelmente, refugiar-se a fim de garantir um momento a mais de perfeição da fragrância. Quer ser sentida, tocada, e mesmo em sua breve vida, procura alento. És tu esta pétala e também sou eu. Somos nós. Que te...