quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Era uma vez...



Era uma vez…

eu

você

um cachorro

eu esperei  o momento certo

você buscou a oportunidade

e o cachorro saltitante latiu, lambeu  e alegrou-se pela nossa chegada.

Eu construí referências materiais

Você correu entre A e B

e o cachorro saltitante latiu, lambeu  e alegrou-se pela nossa chegada.

Eu pensei ter sucesso em tantas coisas

Você tornou-se um ganhador exímio de congratulações

e o cachorro saltitante latiu, lambeu  e alegrou-se pela nossa chegada.

Eu achei que eu pudesse ser eu

Você que pudesse ser você

Não estaríamos esquecendo de sermos nós? E em uma fusão de pronomes que como um metal derretido se unem e derretem qualquer mágoa, qualquer irregularidade que transtorna as vidas tão únicas. É assim que se chega ao canto do mundo. Quando o meu eu + o teu eu são uma eterna e exclusiva conta matemática: eu + você = nós

Eu, porém, continuo sendo eu

Você, continua sendo você

Mas o nosso nós fortalece laços humanos indissolúveis, muito além da carne ou do tipo sanguíneo, muito além da cor ou da classe social, muito além das crenças e das diferenças

MAS ENQUANTO EU TENTO SER SOMENTE EU E VOCÊ TENTA SER SOMENTE VOCÊ
o cachorro saltitante late, lambe e alegra-se pela nossa chegada.


http://youtu.be/bYu5PWld89g