terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu gosto de poucas coisas...


Eu gosto de poucas coisas, mas isto não me torna menos importante no mundo. Por que eu deveria gostar de tudo e de todos? Nem tudo me atrai, poucos me surpreendem, raro é aquele que me fascina. O fascínio e a decepção caminham de mãos dadas, elevam o corpo e a alma e murcham subitamente.


Caminhar na praia, eu gosto; ver o mar e o sol, este sim me fascina. O sol é o fogo que me queima por dentro e aquece os membros, é a estrela que guia de algum modo a vida, um farol através do qual os seres, de longe, se mantêm na rota. Até uma folhinha é capaz de percorrer caminhos tortuosos na procura da luz solar.

A massa macia recheada com creme de chocolate, suspiro e morangos e coberta com calda de chocolate que escorre até a borda do prato formando um pequeno rio, isto... eu também gosto. O doce mistura-se ao azedo e causa aquela salivação nas laterais da parte interna da boca enquanto o sabor é apreciado. Sabores são como os seres humanos, os opostos acabam juntos e, juntos, formam algo quase inexplicável, porém complicado.

Eu gosto de ler livros interessantes, ver filmes, trabalhar, deixar a casa impecavelmente arrumada e cheirosa, estar em casa com as pessoas que mais amo, conhecer lugares. Eu também gosto da minha própria companhia, de me deixar ficar e sentir a leveza do corpo e da alma em sintonia profunda. Das pessoas eu gosto, um pouco; a aglomeração humana com conversas que deveriam ser engraçadas e provocar gargalhadas intensas, daquelas que causam dor no ventre, geralmente não acho tão engraçado e me sinto excluída porque eu deveria rir ruidosamente e prolongadamente. As pessoas falam inverdades, magoam e usurpam a inocência humana, fica difícil, então, confiar nas palavras, nas atitudes. Tento olhar o lado bom das coisas, das pessoas, sempre há alguma coisa ainda que longínqua. Às vezes, canso de procurar, acabo desistindo.

Eu gosto da vida, queria, porém, vivê-la sem os paradigmas que a sociedade impõe, que pesam, que cansam . Mas eu tenho um sonho secreto, que agora não será mais secreto porque resolvi revelá-lo a mim: eu queria entender os seres humanos!

Na impossibilidade, gosto de pastel de frango.