quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fato

Fato

Com os olhos rasos d’água, arremeteu o corpo estreito por entre as dimensões avantajadas de outros seres inertes , momento estéril vivido como se não tivesse importância de existir, de ser, de ouvir, mas há que se fazer algo em relação ao fato presenciado sem, porém, deixar rastros da inquietação da alma.
Os fatos surgem como relâmpagos efêmeros, tornam-se fatos dignos de apreço e mérito ou caem no esquecimento da mente usurpadora que condena tão impulsivamente sem profundidade de análise e crítica. O que pode torná-lo importante a ponto de ser o elemento que suscita discussão, imagem revelada e desvendada no âmago de questões fúteis, mas nutrizes?! ?Respire, que a oração longa pode causar cansaço ao leitor inquieto.
O turbilhão pode responder vagamente como um último e obscuro suspiro. Pode-se revelar através dos sentidos, ser cheirado, apalpado. Cria forma. Anda por aí desnudo, sem pudor algum e não se importa com o escândalo causado. É uma onda que invade a areia branca e com sua cristalina água causa profundas fendas, desalinha, muda para sempre.
O fato é assim, ora importante, ora insignificante. Decidir a real dimensão de cada verdade ou mentira não é tarefa de importância menor. Quem pode decidir? Deve ser, no mínimo, muito especial, possuir conhecimentos vários, ser imparcial, estudar profundamente as evidências e ainda estará inapto a entender o que a mente humana é capaz de produzir.
A água dos olhos, já não rasos, irriga a face indecisa e sobre escápulas humanas vislumbra ainda mais uma vez o fato, consumado.