domingo, 25 de outubro de 2015

Incertezas

Eu prefiro tanto Português a Matemática que chego a me espantar como me irritam as incertezas.
Construo uma personagem a cada dia e tento me adequar a essa realidade medíocre, de bonecos e palhaços, o palco é o mundo.

Quem me dirá a verdade sobre esta realidade?

Somos marionetes?

Deixa-me ser, deixa-me ser, por favor. Não consigo ver o sentido dessa representação teatral, quero olhar através dos teus olhos, por dentro de você como se fosse um portal para a alma humana.
Aonde você está?

Escondido, talvez, em tua personagem. Fazes de conta que és humano, mas o teu gene é o que acalenta a camada de visualização. O que vejo é tão superficial, só parece, não é.

Mostra-te. Posso escrever a tua história?

Ser também dói.

Mas eu quero ir além da sobrevivência, quero a essência, a profundidade. Títulos não me bastam, quero saber para ser. Não desejo apenas parecer, isso é somente uma personagem da inutilidade humana.

Por que a massa se auto-esmaga? Corroem-se aos poucos, como vermes que perfuram e comem a carne, não há tempo para decomposição.

Esse é o retrato do teatro do planeta, pessoas comem e se comem, literalmente.

Alimentam-se umas das outras em um canibalismo assutador. No subterrâneo dos cérebros a verdade está, imune.

Mostra-te. A tua verdade pode ser melhor do que toda esssa representação. Podes encontrar compaixão, êxtase e vida longe de uma realidade inventada. Vida é ser você, mesmo que todos estejam fazendo de conta que são reais.

A realidade

Tomou coragem, saiu à rua e se mostrou. Com um traje qualquer, corpo magro, olhos acinzentados e cabelos escuros tomou um bocado de terra em suas mãos enquanto, agachado, olhava o vai e vem das pessoas.  Andando entre a multidão, ora esbarrava em alguns, ora sentia o vento quente em seu rosto. Todos tinham pressa.
Seu corpo ainda podia sentir o sexo matinal. Intenso. Fresco. Louco. Daqueles dias arrebatadores e hormonais em que a cópula é a união de dois corpos incandescentes.

Ninguém o viu, nem sentiu o seu cheiro de sexo fresco. Alheio às personagens humanas e à ansiedade de todos em mostrarem a irrealidade interior, pareciam mesmo saciados, lindos, realizados. Um modelo de sucesso.


Foi uma revelação fracassada. Pessoas querem ser fantasmagóricas e aos cegos não se pode descortinar a imagem.

Aqui e agora, alguém nasce e outro morre. É assim.
  Nisso não há representação, não há teatro, é fato. Viver está além de tantas coisas.