domingo, 23 de fevereiro de 2014

Love



Love

O andar em solo árido fervia-lhe os pés descalços e aos poucos a pela seca parecia soltar-se do seu corpo cansado. Parou. Desfalecido lançou um olhar ao horizonte para  ver o nada. As mãos trêmulas retiravam os fios de cabelo grudados da face suja. Os olhos profundamente negros ainda contrastavam com o branco amarelecido da esclera ocular. Em seus pensamentos conturbados não tinha certeza de nada, se ainda havia mundo ou se mundo havia acabado.

Continuou, com a esperança de encontrar algo que o sustentasse por mais um dia, algo que o trouxesse de volta a realidade. Aonde estava o mundo normal? Ali, durante a caminhada errante, tinha a impressão de que os valores da vida ultrapassam grandes barreiras da mesquinhez e do poder. O poder não dá vida, não prolonga a vida e nem mesmo a mantém viva. Em seu devaneio a companhia de um cão vira-lata seria o céu.

Os pés ferventes e o coração gelado tiraram-lhe a essência do período que se tem para fazer a diferença. É assim que se pode sair da aridez para a fartura de sentimentos. São as pessoas, são os relacionamentos, é o amor. Mas o poder de escolha é uma herança que se tem e ninguém pode tirar. O deserto de sentimentos é uma escolha dolorosa, que tem um preço alto. O amor é um risco delicioso, que requer muito de um simples ser imperfeito.

MAS... a linha do tempo da vida é incerta, e tem começo e fim. Por isso, arrisque-se e seja intenso. Delicie-se com as pessoas, brinque! Faça caretas e não faça nada, se não quiser.