quinta-feira, 18 de abril de 2013

A nudez da vida



Pelo canto da boca o fio escarlate destoava.
O homem observava em si mesmo o resultado da fadiga, do peso de um dia após o outro.
Retesava-se sobre o frio de um chão sem fim, o som lacrimejante da respiração também cessara. Nada mais havia a não ser o corpo.
No mesmo momento a reprodução das células também se extingue, o sangue deixar de jorrar entre os caminhos tortuosos e venosos e a pálpebra caída não mais se abre.
É a inércia eterna!
Olha para si e não pode retroceder, não pode mais ser.
Acorda!
Num sobressalto percebe que ainda há vida para viver, boca para beijar, amor para dar...
acorda enquanto o mundo dorme e percebe que entre um momento e outro tudo pode ser preto ou branco ou escarlate e ardente, e quente.
é assim!
são escolhas!
a vida é nua, veste-se o que quiser. O adorno é um detalhe que compõe o dia de cada um, é um sorriso perdido, um pedido de desculpa, uma declaração de amor. Para esta nudez não há nenhuma vergonha. Você pode manifestar preferência.
... os corpos dos mortos-vivos se amontoam na rotação da Terra. DEIXA-ME SER, DEIXA-ME SER!
Quero apenas a nudez da vida e o hálito fresco do meu amor.