segunda-feira, 17 de outubro de 2011

AUTODIDATA EM AMAR

Foi uma alegria quando viu os pais.


Sentia o coração bater mais forte e os passos leves, flutuantes, quase se moviam como asas que levam ao céu azul, distinguindo-se dos demais, almeja este vacilo suave que produz o caminho ao ponto não distante, pode-se ficar, pode-se ir.

A ordem já não é mais a mesma quando o sinal aparece sorridente e os cabelos esvoaçantes caem sobre os ombros como fios doces, olhos amendoados que saltam para a liberdade e o aconchego de um colo quente. As mãos percorrem o nada como se pudessem apalpá-lo, inquietas não suportam a inércia, enquanto os membros inferiores palpitam freneticamente entre pulinhos e esta condição de espera que se agrava a cada minuto. Põe-se da forma mais adequada a fim de demonstrar o melhor de si e o merecimento de estar junto deles.

O coração chora quando se deparam com este acontecimento diário, inconveniente. Veem que há terra e céu, há liberdade, possibilidade de exprimir-se de acordo com sua vontade, mas também o aprisionamento de um laço forte que se desprende a cada dia, quando a lágrima da saudade flui quente e mistura a cor dos olhos que se enxergam como um.

Ficar é bom, ir é melhor. E esta liberdade de ir e vir que não existe e deixa a angústia tomar conta da saudade que se instala enquanto espera a hora passar e ocupa-se de atividades estressantes que não levam a nada, apenas cansaço e desgaste. É uma saudade de algo que não se tem, mas se deseja ardentemente.

Ah! e quando os braços se abrem para receber a criatura divinal apresentada em forma humana pura e vigorosa, com todas estas configurações físicas tão peculiares da infância, onde a fragrância de tanta beleza ingênua se mistura com a esperteza e a inteligência da formação de um ser único, que é autodidata em AMAR, desvinculado das artimanhas do cérebro maduro que pode ludibriar seus próprios sentimentos, enganar-se até, e os braços???

Confundem-se longos e curtos, enquanto os corpos paternais sentem o envolvimento ligeiro de um abraço pueril e a extensão do sorriso que estala em beijos nas faces cansadas do dia, o brilho daquele olhar inesquecível que diz:

-Amo vocês!!!

(To Laura)