sexta-feira, 21 de maio de 2010

Residência.

O dia termina com acasos, que não são acasos. A rotina não é acaso, é escolha. Escolhe-se bem ou mal, porém delinear o momento ou vários momentos é tarefa indiscutivelmente árdua.
Você está no lugar, olha o cenário, não se agrada. O corpo permanece imóvel, por quê? A física estuda o corpo em movimento, deseja que se movimente, que cause intriga molecular. A imobilidade alcança os melhores atletas. O alvo fica tão obscuro e inoportuno, a facilidade alcança a inação. Que motivo sinistro, talvez sóbrio, talvez embebido em qualquer substância que tire a venda da timidez causaria tanto desconforto? Parco instante.
Vive aqui olhando a natureza, vivendo a natureza, protegendo árvores, plantas e águas como se pudesse salvar o mundo daquilo que já está previsto que aconteça. Usa dois lados do papel, dá meia descarga e condena veementemente o desperdício. Recicla papel, alumínio, orgânicos. Recicla momentos.  A neurose o atinge, digo o atinge porque a tão imponente língua portuguesa dá-me o direito de dizer que os homens são neuróticos, tudo, absolutamente tudo no masculino, todavia serve também às mulheres. O machismo da língua não nos interessa no momento.
O neurótico não está interessado se a língua que fala é machista ou não. Corre em suas veias a ansiedade infinita de poder ser não apenas obra do acaso. Quer se expressar. Quer ser alguém, provar  que o tempo decorrido entre o nascimento e a morte são peças indispensáveis que se encaixam no quebra-cabeça diário. Quer perfeição. Não suporta a espera, não consegue aproveitar os momentos porque preocupa-se excessivamente em estabelecer metas para os próximos momentos.
Tratam-se de dois seres distintos: o que aguarda na inércia e o que aguarda na inquietação. Todavia... nada além desta conjunção poderia explicar a vivência destes seres infelizes.
Esquecem-se que a felicidade pode estar tão próxima daqueles que a desejam, que há possibilidade de simplesmente amar o próximo sem reservas e desejar que outrém seja feliz, e talvez este seja o grande segredo: servir causa um prazer inexplicável, muito além de ser servido.
Não adianta proteger árvores que invariavelmtne cairão, nem economizar a água que secará, nem mesmo a terra permanecerá para que novas árvores possam ser plantadas,(fique claro que defendo o cuidado do mundo) mas pode-se plantar a vida em vida, não há outro lugar em que se possa mostrar as reais intenções interiores, o afeto, a felicidade, a lealdade e o amor são sementes que se deve plantar em vida, para colher após a morte.